domingo, 19 de fevereiro de 2012

Quis viver um sonho.
Não um sonho que é sonho pela qualidade de perfeição inclusa nele.
E sim um sonho, porque simplesmente está na minha cabeça quando eu acordo.
Quando eu vou dormir. Quando eu vivo e quando morro.
Cheguei perto, tive indícios que nunca tive antes.
Cheguei a pensar.
E se...
E se estiver acontecendo?
Mas o baque foi forte demais para mim.
Eu não sou o tipo de pessoa que aguenta viver um sonho.
Então ele fugiu.
Saiu correndo para longe de mim
e agora eu o vejo, ali, tentando se esconder
bem atrás de você.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Quatro olhos que não se viam, conversavam.
Dialogavam sem parar e nem sequer sabiam qual era a cor um do outro.
Não sabiam se piscavam ao mesmo tempo, se o outro par era feliz ou triste nem até mesmo se era bonito ou feio. 
Os olhos que não se olhavam, falavam palavras que saiam dentre cilhos.
Palavras que não podiam sair pela boca, porque pela boca é mais difícil de conversar sem ver. 
Os olhos, que a distancia já impede a visualização de qualquer forma, encontraram uma maneira de se comunicar sem realmente observarem um ao outro. 
E o incrível desse novo método é que eles se engolem e afundam como se estivessem os dois pares, um parado olhando para o outro.
Parados. De frente. Um no outro.
As palavras se entrelaçam e se constroem maiores, mais belas e com uma mágica que lhes é dada pela primeira vez. 
As palavras ditas por quatro olhos. Quatro olhos que não se vêem.
Afinal, o que é a distancia para dois pares de olhos cheios de frases a compartilhar?

Sonhei que eu estava na praia.

Caminhava lentamente pela areia. Arrastando meu pé e brincando com as marcas que esse movimento fazia. A areia era escura pela falta de luz e molhada por ter sido banhada pelas águas do mar alguns minutos antes de eu pisar ali.
Aos poucos eu me aproximava da imensidão negra a minha frente. Estava tudo tão escuro que eu não sabia quando as águas começavam e quando ainda era chão. Ate que senti as ondas molharem, delicadamente, meus pés.

Sonhei que eu entrava no mar.

Não podia ter certeza o quão fundo eu me encontrava porque minhas pernas, meu tronco, meus braços e face, já submersos, se confundiam com o movimento das ondas. Essas, que deviam fisicamente mover-se sobre mim, mexiam-se como se dentro de minha cabeça, como se dentro de minha alma. Cada empurrão para o lado fazia meus pensamentos dançarem e fugirem e nadarem, perto ou longe de mim.

Deitei, dormi e sonhei.

Sonhei que eu estava em casa.

Caminhava pela sala angustiada, sem entender minha angustia. Arrastando meu pé pelo chão de madeira e rindo do barulho que esse movimento promovia. As pecas retangulares compunham um visual comum. A luz amarela não modificava o marrom da madeira e ficava ali, como se imitasse uma floresta inteira, só que silenciosa e no chão da minha casa.
Aos poucos me dirigi em direção a porta. La fora, pude ver quando a abri, tudo era escuro, já dominado pela noite. Fui levada, como se guiada por algo maior que eu, ate a praia.

Sonhei que eu estava no mar.

Um tempo depois acordei submersa, sem conseguir respirar, esmagada pela pressão que a água fazia em cima de mim. E ao invés de me desesperar e tentar urgentemente nadar ate a superfície, eu fechei meus olhos e me deixei afundar e levar pelo balanço das ondas.


quarta-feira, 9 de novembro de 2011



As duas irmas estavam sentadas em um muro baixo na frente da praia.
De costas para o mundo, de frente ao mar.
As ondas eram pouco agitadas. Se balancavam querendo chamar atencao, mas nao esbocavam nenhuma agressvidade. Nao tinham ritmo algum, cada qual se chocava e quebrava aonde bem entendia.
O sol nao estava mais em seu pico e ja comecara a descer em direcao ao oceano.
O ceu estava tomado por um tom escuro de azul que permitia, mesmo assim, a existencia de raios horizontais cruzando-o em cores amarelas,vermelhas e laranjas, roubadas do sol.
As irmas nao diziam muito, preferiam preservar o silencio enquanto apreciavam aquela cena.
Logo, a lua apareceu. Branca,redonda e brilhante.Tinha uma luz singela,timida e ate mesmo mais fraca que a do sol, mas era tao bela que era quase tudo que se via no ceu aquela noite. Concentrava toda a atencao em si. Certamente nao seria tao maravilhosa se nao fosse branca.
A lua e o sol coexistiram um tempo no ceu colorido, lado a lado. Ela brilhava sozinha, propagando uma luz branca ao seu redor e ia aos poucos se colocando mais ao centro do ceu.
O sol, como se entedesse que sua participacao ja havia terminado, comecou a se movimentar em um movimento circular ao redor da lua. E ela, se postando cada vez mais ao centro do palco, mostrando que reconhecida que era a principal nessa nova cena.
Quando o sol se encontrava exatamente embaixo da branca, coexistiram por mais um tempo, despedindo-se da cena antiga.
As irmas se entreolharam e apertaram uma a mao da outra, sem acreditar no que viam.
O sol se despediu e foi embora.
Sem barulho algum, sem aplausos nem nada do tipo, a lua dominou o ceu. E o transformou de colorido para negro, erradiando sua intensa luz e clareando com ela o negro em um arco ao seu redor.
As irmas tinham os olhos presos naquela bola brilhante.
Ate que a mais nova se desconectou do encanto e virando para a mais velha, disse:
- Sabe.. Acho que agora eu entendo porque voce tem esse nome.




(O nome da minha irma significa Branca em portugues)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Com suas palavras saiu um sopro.
Do seu sopro saiu fogo.
Esse vento queimou minhas mãos e minha caneta.
Já não sei se posso continuar a escrever.

terça-feira, 24 de maio de 2011

De frente ao espelho.
Um reflexo aparece.
Controlo minhas mãos, meus pés, meus jeitos.
E ele repete.

Copia tudo o que faço
os bracos se movem, a boca diz
e vejo tudo acontecer de novo
copiando os movimentos que fiz.

Estou sozinha.
Compartilho o momento com duas partes de mim.
E mesmo assim estou sozinha.

Até que você surge
e agora somos quatro, em um.
Duas figuras se olham e o resto copia.
Movo meu bracço e voce imita
e agora somos um, em dois.

Nossos reflexos dialogam
e vivem uma vida inteira sem nenhum de nós dois.
Viajam pelo mundo e não se importam
em voltar para nos buscar depois.

Você se distancia.
E some.
Talvez você tenha me levado de mim.
Mas não me importo.
O único pensamento que pousa em minha cabeça é que no momento da real partida,
quando você for embora e não só o seu reflexo, eu possa ter um espelho por perto
para me lembrar de você.


De frente ao espelho.
O reflexo desaparece.
Não vejo minhas mãos, meus pés, meus jeitos.
Vejo que você se vai, mas nada (nem eu) te impede.


O tempo passou e pela primeira vez, eu fui.

Nao fiquei esperando tudo ir embora diante de meus olhos
e nao fiquei esperando tudo acontecer enquanto eu parava.
Para todos voces, eu fui e por isso demorei a voltar e escrever aqui.
Fui, pois se passaram meses e minha ausencia dominou os espacos em branco.
Na verdade pretos.
E na verdade multi cores.
Fui, pois voces podem ter me procurado e nao obtiveram pista alguma de onde eu poderia estar.
Fui, pois eu poderia ter estado longe ou mais perto que nunca e voces nunca saberiam.
Mas ja que voltei
e ja que venho
agora eu digo
eu estou aqui.