quarta-feira, 9 de novembro de 2011



As duas irmas estavam sentadas em um muro baixo na frente da praia.
De costas para o mundo, de frente ao mar.
As ondas eram pouco agitadas. Se balancavam querendo chamar atencao, mas nao esbocavam nenhuma agressvidade. Nao tinham ritmo algum, cada qual se chocava e quebrava aonde bem entendia.
O sol nao estava mais em seu pico e ja comecara a descer em direcao ao oceano.
O ceu estava tomado por um tom escuro de azul que permitia, mesmo assim, a existencia de raios horizontais cruzando-o em cores amarelas,vermelhas e laranjas, roubadas do sol.
As irmas nao diziam muito, preferiam preservar o silencio enquanto apreciavam aquela cena.
Logo, a lua apareceu. Branca,redonda e brilhante.Tinha uma luz singela,timida e ate mesmo mais fraca que a do sol, mas era tao bela que era quase tudo que se via no ceu aquela noite. Concentrava toda a atencao em si. Certamente nao seria tao maravilhosa se nao fosse branca.
A lua e o sol coexistiram um tempo no ceu colorido, lado a lado. Ela brilhava sozinha, propagando uma luz branca ao seu redor e ia aos poucos se colocando mais ao centro do ceu.
O sol, como se entedesse que sua participacao ja havia terminado, comecou a se movimentar em um movimento circular ao redor da lua. E ela, se postando cada vez mais ao centro do palco, mostrando que reconhecida que era a principal nessa nova cena.
Quando o sol se encontrava exatamente embaixo da branca, coexistiram por mais um tempo, despedindo-se da cena antiga.
As irmas se entreolharam e apertaram uma a mao da outra, sem acreditar no que viam.
O sol se despediu e foi embora.
Sem barulho algum, sem aplausos nem nada do tipo, a lua dominou o ceu. E o transformou de colorido para negro, erradiando sua intensa luz e clareando com ela o negro em um arco ao seu redor.
As irmas tinham os olhos presos naquela bola brilhante.
Ate que a mais nova se desconectou do encanto e virando para a mais velha, disse:
- Sabe.. Acho que agora eu entendo porque voce tem esse nome.




(O nome da minha irma significa Branca em portugues)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Com suas palavras saiu um sopro.
Do seu sopro saiu fogo.
Esse vento queimou minhas mãos e minha caneta.
Já não sei se posso continuar a escrever.

terça-feira, 24 de maio de 2011

De frente ao espelho.
Um reflexo aparece.
Controlo minhas mãos, meus pés, meus jeitos.
E ele repete.

Copia tudo o que faço
os bracos se movem, a boca diz
e vejo tudo acontecer de novo
copiando os movimentos que fiz.

Estou sozinha.
Compartilho o momento com duas partes de mim.
E mesmo assim estou sozinha.

Até que você surge
e agora somos quatro, em um.
Duas figuras se olham e o resto copia.
Movo meu bracço e voce imita
e agora somos um, em dois.

Nossos reflexos dialogam
e vivem uma vida inteira sem nenhum de nós dois.
Viajam pelo mundo e não se importam
em voltar para nos buscar depois.

Você se distancia.
E some.
Talvez você tenha me levado de mim.
Mas não me importo.
O único pensamento que pousa em minha cabeça é que no momento da real partida,
quando você for embora e não só o seu reflexo, eu possa ter um espelho por perto
para me lembrar de você.


De frente ao espelho.
O reflexo desaparece.
Não vejo minhas mãos, meus pés, meus jeitos.
Vejo que você se vai, mas nada (nem eu) te impede.


O tempo passou e pela primeira vez, eu fui.

Nao fiquei esperando tudo ir embora diante de meus olhos
e nao fiquei esperando tudo acontecer enquanto eu parava.
Para todos voces, eu fui e por isso demorei a voltar e escrever aqui.
Fui, pois se passaram meses e minha ausencia dominou os espacos em branco.
Na verdade pretos.
E na verdade multi cores.
Fui, pois voces podem ter me procurado e nao obtiveram pista alguma de onde eu poderia estar.
Fui, pois eu poderia ter estado longe ou mais perto que nunca e voces nunca saberiam.
Mas ja que voltei
e ja que venho
agora eu digo
eu estou aqui.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

o tempo tira tudo
tudo de mim
mas se eu pudesse pedir
para o tempo
não tirar
uma coisa de mim
eu pediria para ele
não tirar
você.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Se o meu mundo não para ao ouvir sua voz
se o que mais espero não é saber o que você pensa de mim
se o que mais quero não é ter recordações suas para me lembrar dos tempos áureos que vivemos
se o meu presente não é mais completo com sua presença
se eu não esperasse ansiosamente só pelo prazer de te reencontrar
se eu não procurasse em cada pessoa ao meu redor tudo o que vejo em você
se eu não fizer questão de te ter, nem que seja só por um momento

me deêm um remédio, pois fiquei louca de vez.


(ou que maravilha... fiquei curada)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Tuyo

Vi um pedaço seu perdido pelo mundo.
Em um lugar que pouco esperava encontrar-te.
Minha reação ao te ver foi um susto. Um não saber o que fazer. Ou te levava ou fugia.
Te toquei com as pontas dos meus dedos para tentar te sentir mais próxima. Tentei ler tudo que escrevia, tentei decifrar as pistas que você talvez tivesse deixado para mim. Porém de todo calor que meus toques lhe deram, não recebi nada de volta.
Não me havia mais outra saída, por mais atordoada que estivesse e pudesse ficar, te deixei lá e saí.
Te deixei intacta, como a havia encontrado. Como se tivesse sido excomungada de seu habitat natural e jogada até mim só para que eu te olhasse e sentisse isso tudo. Isso tudo que sempre sinto.
Te deixei lá lisa e colorida, sem a minha presença, sem meus toques, somente com as palavras de Neruda e com a companhia de outras fotos de bicicletas e flores e mar...