domingo, 24 de fevereiro de 2013

me fantasiei de mudança.
rabisquei na minha pele qualquer coisa que significasse coisa alguma.
que fosse
algo que eu não sei se sou.
que tivesse as certezas que não tenho.
setas que diziam para onde ir
já que eu mesma não sei para onde seguir.
o meu corpo se torna meu próprio escudo e minha folha.
a folha que substitui o papel quando as palavras não sabem escrever.
quando os desenhos tampouco saem e tudo que me resta é algo qualquer que
descreva a confusão que me habita.

me fantasiei de mudança.
com as minhas imperfeições a flor de pele
tentei me importar o mínimo possível com elas.
deixei que fossem

me fantasiei de mudança
e assim dormi
com a esperança
de que no dia seguinte
todos os rabiscos tivessem sumido.
mas não havia nada para tirá-los dali
a não ser a água que joguei no meu corpo no dia que seguiu.
a água que levou tudo embora,
mas nem mesmo ela
nem mesmo nada
é capaz de levar minha confusão e meus pesares embora pelo ralo
junto com a tinta que com a qual eu me pintei


21/11/2012

2 comentários:

Rick disse...

Tem uma coisa que leva embora essas coisas que ficam grudadas com a gente, o tempo, a gente só precisa ter um pouco de paciência.

Boa noite. "_"

António Jesus Batalha disse...

Estou alegre por encontrar blogs como o seu, ao ler algumas coisas,
reparei que tem aqui um bom blog, feito com carinho,
Posso dizer que gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns,
decerto que virei aqui mais vezes.
Sou António Batalha.
Que lhe deseja muitas felicidade e saúde em toda a sua casa.
PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se o desejar
siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.