domingo, 24 de fevereiro de 2013

me fantasiei de mudança.
rabisquei na minha pele qualquer coisa que significasse coisa alguma.
que fosse
algo que eu não sei se sou.
que tivesse as certezas que não tenho.
setas que diziam para onde ir
já que eu mesma não sei para onde seguir.
o meu corpo se torna meu próprio escudo e minha folha.
a folha que substitui o papel quando as palavras não sabem escrever.
quando os desenhos tampouco saem e tudo que me resta é algo qualquer que
descreva a confusão que me habita.

me fantasiei de mudança.
com as minhas imperfeições a flor de pele
tentei me importar o mínimo possível com elas.
deixei que fossem

me fantasiei de mudança
e assim dormi
com a esperança
de que no dia seguinte
todos os rabiscos tivessem sumido.
mas não havia nada para tirá-los dali
a não ser a água que joguei no meu corpo no dia que seguiu.
a água que levou tudo embora,
mas nem mesmo ela
nem mesmo nada
é capaz de levar minha confusão e meus pesares embora pelo ralo
junto com a tinta que com a qual eu me pintei


21/11/2012

domingo, 30 de setembro de 2012

O meu norte vira sul, vira leste, vira oeste, vira lugar qualquer onde você esteja.

Me desculpe, de verdade.
Me desculpe por não gostar de você da maneira que você gosta de mim.
Por já não depender mais de você, visto que me libertei daquela dependência que um dia me possuiu.
Me desculpe por não ter 100% da minha atenção prendida em você.
Por não pensar em você a todo instante.
Me desculpe, sinceramente
porque não posso ser para você o que você queria e esperava que eu fosse.
Porque eu não posso te amar e porque de fato não amo.
Me desculpo, posto que me importo, posto que gosto de você e que por ti sinto carinho
mas se precisamos medir em quantidades, você conseguirá saber que os sentimentos não são iguais.
Eu sei que você vai me dizer que nunca são, nunca são.. Mas lá no fundo você sabe que você acredita que tem como ser,
e a tua definição de recíproco é um pouco diferente da minha e da do resto do mundo.
Então peço que me desculpe, sendo essa a única coisa que posso fazer
já que eu não tenho como te enganar, e preciso dizer, que eu não gosto tanto assim de você.


um buraco
sem fundo
ou melhor, com um fundo quase invisível de tão longe
tão longe.
você sabe que já caiu
você já sabe que está longe
mas há
o momento
em que você percebe
e no qual
você consegue ver,
o final, aquele fundo
e você pensa
ops
talvez seja fundo demais para aguentar

terça-feira, 18 de setembro de 2012


Achei que ia morrer sem ti. Que no mínimo, o pensamento me atormentaria, que te desejaria mais do que nunca.
Poucos dias sem tua presença me provariam que a vida sem você, não vale.
Felizmente ou não, nada ocorreu assim.
Percebi que - ao contrário do que me era uma certeza - você não é o propósito universal do meu viver.
Descobri que, na verdade, nada é.
Não tive você para me motivar a acordar, a ir, sorrir...
Acordei, fui, sorri, mas sem um por quê. Pela simples obrigação de respirar.
Como uma vida repleta de sorrisos pode ser tão vazia?
Eu sou minha maior motivação e entretanto, não me basto.
E durante essa saga em buscar algo que me baste, eu te encontro.
Porém, você já não está mais ali.
Quebramos nosso silêncio com outro.
E assim permanecemos
quietos
calados.

domingo, 8 de julho de 2012

Acordei sem querer abrir os olhos.
Preferia morar nos sonhos que tive essa noite.
Não quis conversar, não quis dizer. Só pude concentrar todas as minhas forças em me lembrar e memorizar cada imagem que apareceu na minha cabeça enquanto meus olhos estavam fechados.

Quis te abraçar.
Eu precisei.
Precisei de você, da maneira que fosse.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Há algo que não tem me deixado dormir
                                     bem.
Meus olhos fecham, meu corpo se acalma, mas durante meu sono, minha mente não descansa.
Acordo, perturbada, algumas vezes durante uma só noite.
Durmo com a ilusão de que descanso. Mas o único que ralmente dorme são meus olhos, até o momento em que minha mente confusa os obriga a reabrir, no meio da madrugada.
Meu coração, de repente, está palpitando. Batendo forte, gritando no meu peito.
Desnorteada, não sei por quê.
Não posso identificar o motivo.
Durmo com a consciência de estar dormindo um sono confuso, um sono que mais acorda do que dorme. Acordo sabendo que dormi por um segundo, já que meus pensamentos não sabem o que significa "se ausentarem de mim".