Com suas palavras saiu um sopro.
Do seu sopro saiu fogo.
Esse vento queimou minhas mãos e minha caneta.
Já não sei se posso continuar a escrever.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
terça-feira, 24 de maio de 2011
De frente ao espelho.
Um reflexo aparece.
Controlo minhas mãos, meus pés, meus jeitos.
E ele repete.
Copia tudo o que faço
os bracos se movem, a boca diz
e vejo tudo acontecer de novo
copiando os movimentos que fiz.
Estou sozinha.
Compartilho o momento com duas partes de mim.
E mesmo assim estou sozinha.
Até que você surge
e agora somos quatro, em um.
Duas figuras se olham e o resto copia.
Movo meu bracço e voce imita
e agora somos um, em dois.
Nossos reflexos dialogam
e vivem uma vida inteira sem nenhum de nós dois.
Viajam pelo mundo e não se importam
em voltar para nos buscar depois.
Você se distancia.
E some.
Talvez você tenha me levado de mim.
Mas não me importo.
O único pensamento que pousa em minha cabeça é que no momento da real partida,
quando você for embora e não só o seu reflexo, eu possa ter um espelho por perto
para me lembrar de você.
De frente ao espelho.
O reflexo desaparece.
Não vejo minhas mãos, meus pés, meus jeitos.
Vejo que você se vai, mas nada (nem eu) te impede.
O tempo passou e pela primeira vez, eu fui.
Nao fiquei esperando tudo ir embora diante de meus olhos
e nao fiquei esperando tudo acontecer enquanto eu parava.
Para todos voces, eu fui e por isso demorei a voltar e escrever aqui.
Fui, pois se passaram meses e minha ausencia dominou os espacos em branco.
Na verdade pretos.
E na verdade multi cores.
Fui, pois voces podem ter me procurado e nao obtiveram pista alguma de onde eu poderia estar.
Fui, pois eu poderia ter estado longe ou mais perto que nunca e voces nunca saberiam.
Mas ja que voltei
e ja que venho
agora eu digo
eu estou aqui.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Se o meu mundo não para ao ouvir sua voz
se o que mais espero não é saber o que você pensa de mim
se o que mais quero não é ter recordações suas para me lembrar dos tempos áureos que vivemos
se o meu presente não é mais completo com sua presença
se eu não esperasse ansiosamente só pelo prazer de te reencontrar
se eu não procurasse em cada pessoa ao meu redor tudo o que vejo em você
se eu não fizer questão de te ter, nem que seja só por um momento
me deêm um remédio, pois fiquei louca de vez.
(ou que maravilha... fiquei curada)
se o que mais espero não é saber o que você pensa de mim
se o que mais quero não é ter recordações suas para me lembrar dos tempos áureos que vivemos
se o meu presente não é mais completo com sua presença
se eu não esperasse ansiosamente só pelo prazer de te reencontrar
se eu não procurasse em cada pessoa ao meu redor tudo o que vejo em você
se eu não fizer questão de te ter, nem que seja só por um momento
me deêm um remédio, pois fiquei louca de vez.
(ou que maravilha... fiquei curada)
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Tuyo
Vi um pedaço seu perdido pelo mundo.
Em um lugar que pouco esperava encontrar-te.
Minha reação ao te ver foi um susto. Um não saber o que fazer. Ou te levava ou fugia.
Te toquei com as pontas dos meus dedos para tentar te sentir mais próxima. Tentei ler tudo que escrevia, tentei decifrar as pistas que você talvez tivesse deixado para mim. Porém de todo calor que meus toques lhe deram, não recebi nada de volta.
Não me havia mais outra saída, por mais atordoada que estivesse e pudesse ficar, te deixei lá e saí.
Te deixei intacta, como a havia encontrado. Como se tivesse sido excomungada de seu habitat natural e jogada até mim só para que eu te olhasse e sentisse isso tudo. Isso tudo que sempre sinto.
Te deixei lá lisa e colorida, sem a minha presença, sem meus toques, somente com as palavras de Neruda e com a companhia de outras fotos de bicicletas e flores e mar...
Em um lugar que pouco esperava encontrar-te.
Minha reação ao te ver foi um susto. Um não saber o que fazer. Ou te levava ou fugia.
Te toquei com as pontas dos meus dedos para tentar te sentir mais próxima. Tentei ler tudo que escrevia, tentei decifrar as pistas que você talvez tivesse deixado para mim. Porém de todo calor que meus toques lhe deram, não recebi nada de volta.
Não me havia mais outra saída, por mais atordoada que estivesse e pudesse ficar, te deixei lá e saí.
Te deixei intacta, como a havia encontrado. Como se tivesse sido excomungada de seu habitat natural e jogada até mim só para que eu te olhasse e sentisse isso tudo. Isso tudo que sempre sinto.
Te deixei lá lisa e colorida, sem a minha presença, sem meus toques, somente com as palavras de Neruda e com a companhia de outras fotos de bicicletas e flores e mar...
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Como uma criança escrevi as letras do seu nome.
Essas letras que, juntas, estou tão desacostumada a traçar.
Tudo foi ficando meio torto, meio assim: M
Meio grande demais, meio sem caber no espaço entrelihas.
Um lápis sem saber o que fazer com a folha.
Meio um i delicado e solto. Um r um pouco mais seguro de si.
Outro i tentando imitar o primeiro.
Um a redondo, querendo ocupar todo espaço ao seu redor.
E um m fino e espaçoso, que não tem coragem de acabar.
Não tem coragem de deixar o papel, pois com tanta falta de uso a alegria desse encontro era tamanha que não podia dizer adeus.
Porque no final das contas, até o papel e a caneta têm saudade de você.
M i r i a m
Essas letras que, juntas, estou tão desacostumada a traçar.
Tudo foi ficando meio torto, meio assim: M
Meio grande demais, meio sem caber no espaço entrelihas.
Um lápis sem saber o que fazer com a folha.
Meio um i delicado e solto. Um r um pouco mais seguro de si.
Outro i tentando imitar o primeiro.
Um a redondo, querendo ocupar todo espaço ao seu redor.
E um m fino e espaçoso, que não tem coragem de acabar.
Não tem coragem de deixar o papel, pois com tanta falta de uso a alegria desse encontro era tamanha que não podia dizer adeus.
Porque no final das contas, até o papel e a caneta têm saudade de você.
M i r i a m
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